4 de dezembro de 2017

SOU PORTADOR DE UM OSTOMA E AGORA?

As condições clínicas que levam à necessidade de uma ostomia são diversas e estão relacionadas a várias situações ou doenças caracterizadas como benignas ou malignas. Podemos exemplificar algumas doenças intestinais, situações de traumas que comprometam regiões especificas do organismo e também incluir algumas doenças oncológicas. Então ao receber o diagnóstico de um câncer, talvez você seja informado por seu médico cirurgião sobre a necessidade de realizar uma ostomia. Tente manter a calma, pois esta mudança vai lhe exigir paciência, mas se foi indicada é a melhor alternativa para você.

O que é uma estomia/ ostomia?

Vamos tentar explicar de um modo bem generalizado e mais simples, lembrando sempre da necessidade de esclarecer suas dúvidas com equipe técnica responsável pela indicação e/ou procedimento. Nosso objetivo é apenas trazer algumas informações diante deste desafio e lembrá-lo que é possível de lidar com as mudanças. A proposta da cirurgia é a abertura de um novo ou de um caminho alternativo com o meio exterior para auxiliar o bom funcionamento do seu organismo. Para melhora do fluxo respiratório do paciente, por exemplo, pode ser realizada uma traqueostomia; já uma gastrostomia ocorre quando há comunicação do estômago com o meio exterior – quando se necessita de via suplementar de alimentação; urostomia ocorre para drenagem da urina e para preservar a função renal e a ostomia intestinal que pode ser colostomia (intestino grosso) e ileostomia (intestino fino) ocorre para que ocorra saída das fezes para uma bolsa externa. É necessário o uso de uma bolsa coletora (externa) por não ser controlado voluntariamente, seu corpo irá eliminar de acordo com seu funcionamento.

Não são em todos os casos, porém é possível que ao receber diagnóstico de um câncer de reto, intestino, ânus, bexiga ou ainda na presença de fístulas reto-vaginais ou vesico vaginais o médico indique o procedimento cirúrgico, que pode ser temporário ou permanente de acordo com cada situação. A ressalva é que tal procedimento é indicado para melhora do paciente de modo geral, já que tem como objetivo principal conforto, diminuição da dor, e também segurança do mesmo pelo retorno ao funcionamento adequado do organismo. É comum que antes da indicação, nunca nem se tenha ouvido falar desta possibilidade de procedimento e vários questionamentos comumente surgem aos pacientes. É claro que em um primeiro momento, tal proposta pode parecer bastante impactante devido mudanças corporais associadas, além da necessidade de uma cirurgia, por este motivo faz-se necessário sanar sempre as dúvidas com o médico assistente para desta forma diminuir o medo e compreender melhor a necessidade da intervenção.

• Vou conseguir realizar a higiene e a troca da minha bolsa?
• Como vai alterar minha rotina?
• Posso continuar fazendo as mesmas coisas?
• Minha alimentação precisa mudar?


É natural que tais questionamentos assim como vários outros ocorram, pois geralmente toda mudança gera um desconforto, principalmente por se pensar em algo desconhecido até então. Podem surgir sentimentos conflituosos e preocupantes que envolvem não somente aspectos fisiológicos, mas psicológicos e sociais. Lembrando que os aspectos emocionais devem ser levados em consideração em todos os tipos de tratamento e o apoio da família e amigos contribui de maneira direta para boa adaptação e para que o paciente possa lidar melhor com as dificuldades que possam surgir, principalmente em um primeiro momento. O suporte psicológico para criação de novas estratégias de enfrentamento e identificação de mecanismos de defesa ou desencadeamento de emoções negativas (depressão, ansiedade, raiva) é fundamental diante da mudança, lembrando que cada pessoa recupera-se de forma diferente, cada um possui o seu tempo interno para rever conceitos, crenças, resignificar as suas perdas e encontrar forças para lidar com suas possibilidades após a ostomia.

Vale lembrar que o paciente ostomizado encontra-se em um momento extremamente delicado, e tornar-se mais fragilizado faz parte deste contexto. É necessário acolhimento, empatia e paciência dos que estão ao seu redor. Esta atenção interfere positivamente nesta fase de adaptação e aceitação.

É um processo cirúrgico, então aos poucos se torna possível retornar as suas atividades de lazer e atividades sociais. Preservar a auto estima através da auto aceitação e busca de novas possibilidades de lidar com seu corpo são fundamentais. É também importante neste processo de adaptação, aprender olhar para o seu corpo e as mudanças envolvidas pois através deste auto cuidado e observação com regularidade, torna-se possível verificar alterações que possam necessitar de atenção especializada ou intervenção da equipe de saúde.

A prática de atividades físicas também é permitida (conversando com seu médico). Existem variados tipos de materiais e os cuidados com a pele próxima do ostoma também se fazem necessários para uma boa qualidade do paciente assim como algumas mudanças em sua alimentação (uma nutricionista pode lhe ajudar). Irão surgir dúvidas e para auxiliar tal processo, é importante o acompanhamento de profissionais capacitados que possam orientar o paciente que se depara com diversas alterações em sua rotina de modo geral. Como reforçado em outros temas, respeitar o tempo de cada paciente e a maneira que ele lida com cada situação é indispensável. A resolução das dificuldades apresentadas dependerá dos recursos internos (aspectos psicológicos) e novamente do suporte social fornecido por sua família, amigos, rede de apoio e também equipe envolvida.

Algumas dicas:

– Busque grupos de apoio para trocar experiências e esclarecer dúvidas. Em nosso município contamos com este suporte para esclarecimentos de dúvidas na Policlínica de Blumenau. “Serviço de Atenção a Saúde da pessoa Ostomizada (047) 33817677 – Coordenadora Sra .Janete.”

– Através da sua operadora de saúde existem profissionais capacitados a orientá-lo, busque informações;

– Saiba também sobre os direitos dos pacientes ostomizados. Através da lei, desde que cumprido os requisitos é possível compra de veículos adaptados com isenção de impostos; Benefício da Prestação Continuada; Isenção da tarifa em transporte urbano coletivo; Entre outros).

Sugestão:
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/ostomizados/1853/15/


– Acesse sites específicos, existem orientações diversas. Sugestão: http://www.ostomizados.com/

Esperamos tê-los ajudado esclarecer algumas informações e não desanimar diante dos desafios. Existe um grande número de pacientes ostomizados, talvez mais do que você imagine e os recursos são diversos. Existem variados tipos de materiais utilizados, dicas para higienização, para prática de atividade física e até vestuário (cintas) que facilitam na adaptação. Não esqueçam das associações específicas que podem melhor orientá-los diante das dúvidas.

Iracy Patricia Tonolli
Psicóloga – CRP 12/06740

Vivian Daiana Wollinger
Enfermeira – COREN/SC 114720