31 de julho de 2019

Quimioterapia e autoestima: quando o cuidar de si também faz parte do tratamento.

A notícia de um diagnóstico de câncer, onde o tratamento deve envolver um processo cirúrgico, medicações quimioterápicas e radioterapia, podem acarretar no paciente sentimentos de medo, incertezas, preocupações e muitas dúvidas.

Em grande parte, esses sentimentos estão relacionados aos efeitos adversos que o tratamento pode ocasionar, como queda do cabelo, enjoo, falta de apetite, alterações cutâneas, aumento ou diminuição no peso, entre outros, que afeta diretamente a autoestima do indivíduo.

A autoestima pode ser definida como o afeto positivo que o indivíduo tem de si próprio, sendo de grande relevância na sua relação com os outros¹. Culturalmente há uma pressão social para que se siga determinado padrão estético, inatingível à grande parte da população. Para uma pessoa que enfrenta um tratamento de câncer, esse assunto é bem mais delicado, pois pode gerar sentimentos de inutilidade, culpa, tristeza recorrente, pensamentos negativos, medo do julgamento, comparações, isolamento, tornando-se bastante comum sofrer oscilações na própria imagem e na maneira que se percebe o mundo. Nestes casos, quando o sujeito se permite levar por todos esses sentimentos, é necessário fazer um resgate do amor-próprio.

O primeiro passo é cuidar dos sintomas físicos consequentes do tratamento ou da doença. Cuidar da dor, do enjoo, da fraqueza, caso exista. Quando o estado físico está sob controle, pode-se cuidar de outras questões que também são importantes.

Tirar dúvidas e preocupações sobre o processo de tratamento auxilia na diminuição da ansiedade e dos pensamentos irreais. Manter a autonomia sobre as possibilidades, fazendo suas próprias escolhas, eleva a autoestima e ajuda o paciente a se preparar para essa nova etapa.

Evitar se culpabilizar e procurar justificativas para tudo que está acontecendo é essencial, pois mantém o foco no presente e afasta sentimentos autodestrutivos.

Orgulhar de si mesmo, principalmente nos momentos de maior dificuldade. Comemorar as vitórias do dia a dia, promover atividades prazerosas, falar sobre os acontecimentos e sentimentos – sem temor – cultivar o autocuidado e a espiritualidade são formas de se fortalecer como indivíduo, promovendo a saúde mental.

Portanto, não é uma tarefa só do paciente. Estudos sobre autoestima em pessoas com câncer demonstram que sujeitos que possuem uma boa imagem de si, apresentam maior aderência ao tratamento, o que impacta diretamente na qualidade de vida do indivíduo, sendo assim, é um trabalho que envolve toda a equipe multidisciplinar, na tarefa de viabilizar conforto, bem-estar e autonomia durante o período de tratamento.

Fernanda Moreira Suavinha – Psicóloga
CRP-12/17262


Referências:
1- Garzon OE, Salazar, LPM, Barrero JAC, Chavarro AS, Toro GIC, Vernaza MBG. Relación entre las estrategias de afrontamiento, ansiedad, depresión y autoestima, en un grupo de adultos con diagnóstico de cáncer. Psychol Av Discip. 2014;8(1):77-83.