9 de maio de 2019

Medo da morte e luto: tabus e os aspectos psicológicos na perda

A morte é culturalmente representada de várias formas a sua maneira de enxergar esse momento é, em grande parte, influenciada pela religiosidade de cada pessoa.

Algumas religiões encaram a morte como sendo uma chance de evolução espiritual, outras como uma passagem para a eternidade, e o modo de encarar o fim do ciclo da vida, intervém diretamente nos sentimentos vivenciados. Na sociedade contemporânea, a morte é considerada um tabu, onde dificilmente são discutidas questões práticas sobre o morrer, por pelo simples fato de ser visto como algo negativo, ruim e doloroso. O termo “tanatofobia” é usado para descrever sobre o medo da morte. Mas se um dia, todos vamos morrer, por que a angústia? Em geral, as pessoas não tem medo da morte em si, mas do sofrimento, de deixar suas famílias desprovidas, ou assuntos inacabados. Está diretamente ligado a propósito, estilo de vida e em como os familiares veem a perda do ente querido. Neste contexto, Kubler-Ross (1981) descreve os aspectos psicológicos vivenciados no processo de morrer, nomeando-os de 5 estágios do luto. Lembrando que luto não se trata apenas quando o ente querido falece, mas sim de grandes perdas, como no caso de adoecimento (onde perde-se a saúde) demissão, divórcio.

O primeiro estágio é a NEGAÇÃO: o indivíduo, como uma forma de defesa psíquica temporária, age como se o problema não existisse, como se fosse erro médico ou troca de exames. Neste período é comum o isolamento e esse sentimento logo é transformado em uma aceitação parcial do problema. O segundo é o estágio da RAIVA, que acontece quando fica claro a possibilidade da perda e o sujeito é tomado pelo sentimento de revolta, pois sente-se de alguma forma, injustiçado. A BARGANHA é descrita como no terceiro estágio, como a fase da negociação, geralmente com uma entidade religiosa, fazendo promessas e acordos de ser uma “pessoa melhor”, por exemplo. O quarto estágio é a DEPRESSÃO, que é um estado de tristeza, melancolia e impotência frente ao problema, não devendo ser confundido com o transtorno depressivo. E por último o estágio de ACEITAÇÃO, onde a dor e o desespero abre espaço para ressignificações e o indivíduo se prepara para a perda iminente.

Para esclarecer esses estágios, é importante ressaltar que não há uma ordem exata dos acontecimentos, podendo o sujeito oscilar diversas vezes entre uma fase e outra. É neste momento que muitas vezes é necessário a intervenção psicológica. Sendo assim, o psicólogo tem o papel de auxiliar o paciente na identificação da fase reacional em que ele se encontra. A resolução do estágio exige a vivência de sentimentos e pensamentos que o indivíduo muitas vezes evitava. É importante que a sociedade atual converse sobre esse o assunto de forma natural.

Fernanda Moreira Suavinha CRP-12/17262

Referências Bibliográficas: KUBLER- Ross, E. Sobre a morte e o morrer: 2ª Ed., Martins Fontes. São Paulo, 2018.