18 de outubro de 2018

Eu sou cuidador! E agora?

O diagnóstico de câncer nos conduz a uma série de estigmas e sentimentos que acomete o paciente, mas também o cuidador.

Entende-se por CUIDADOR, a pessoa que presta os cuidados diretos ao paciente, ou seja, cuida da higiene, alimentação, mobilidade, está presente em consultas médicas e inclusive, muitas vezes, presta algum tipo de suporte emocional ao adoecido, podendo ser ou não, uma pessoa da família.

Em muitos casos, pelo fato de a doença chegar de surpresa e trazer com ela novos sintomas e limitações, a pessoa que desempenha o papel de cuidador, pode não estar preparado para tal função. Cuidar de uma outra pessoa, exige mudanças na vida pessoal e na rotina do sujeito, acarretando desgaste físico e mental, afetando de alguma maneira sua qualidade de vida. (Bicalho, Lacerda & Catafesta, 2008).

É clichê, mas é válido ressaltar que “quem cuida também precisa de cuidados”. Partindo desse princípio, o cuidador necessita juntamente com o paciente, de suporte e fortalecimento emocional, assim como de uma equipe de saúde pronta para ouvir suas queixas e ajuda-los com o momento experienciado.

Se faz necessário fortalecer o emocional mesmo com um turbilhão de informações e sentimentos acontecendo ao mesmo tempo. É importante saber que, por mais que pareça que as coisas estejam desmoronando ao redor, é possível conviver com o diagnóstico do ente querido sem perder o controle da própria existência.

Mas como?

Primeiramente, deixe que o paciente faça as coisas que ele consegue fazer sozinho. É importante para o enfermo que o cuidador confie e lhe dê autonomia. Isso traz conforto e bem-estar para ambas as partes.

Delegue funções. Não se sinta o único responsável pela pessoa adoecida. Conte com outros familiares/amigos. Não tenha vergonha de pedir ajuda sempre que necessário, para não se sobrecarregar.

Inclua pequenas atividades prazerosas na sua nova rotina e faça delas um hábito. Assistir um filme, ler um bom livro, tomar um banho revigorante, fazer exercícios físicos, tudo isso contribui para a saúde mental e é de extrema importância que não as deixem de lado.

Utilize recursos que facilitem o manejo com o paciente. Tabelas com horário de medicações, anotações em pontos estratégicos com datas de consultas. Esses pequenos detalhes aliviam de certas preocupações rotineiras e faz com que o cuidador possa ficar atento a outros aspectos.

Dialogue com o paciente. Pergunte sobre coisas que ele gostaria de fazer, atitudes que possam ajudar, como ele está se sentindo. Não sobreponha a sua vontade acima dos desejos da pessoa adoecida. Por mais que estejam sempre juntos, quem vivencia de modo integral o adoecimento é o paciente.

Faça acompanhamento psicológico. Fale sobre as angústias, medos, preocupações, anseios, sobre seu dia, sobre o tempo, sobre suas histórias divertidas. Não há necessidade de guardar para si aquilo que pode ser compartilhado e os profissionais de psicologia são capacitados para acolher todo e qualquer sentimento presente nesse novo universo em que o cuidador está inserido.

Contudo, o papel do cuidador é de extrema importância e responsabilidade. Exige de quem cuida tempo, trabalho, dedicação e principalmente, amor. Sendo assim, ao cuidar de si, também se garante à pessoa adoecida cuidados efetivos, benéficos e constantes.



  “Comprimidos aliviam a dor, mas só o amor alivia o sofrimento” – Patch Adams  



Se identificou com o texto? Fale comigo!   Fernanda Moreira Suavinha CRP-12/ 17262  



Referência bibliográfica: Bicalho CS, Lacerda MR, Catafesta F. Refletindo sobre quem é o cuidador familiar. Cogitare Enferm 2008;13(1):118-23.